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O Design e a sua importância

1 - Como vê o panorama actual do Design/Arquitectura em Portugal? A expressão do desejo - pelo humano - cria oportunidades de intervenção pelo design em todas as suas actividades (sejam elas individuais ou colectivas).
A actividade designer revela-se fundamental para a interpretação e compreensão do viver contemporâneo sendo a sua percepção como actividade global (tanto pelos seus interpretes como pelos seus utilizadores) fundamental para o — nosso - futuro.

Não há design sem programa nem solicitação à sua intervenção se este não compreender o contexto da sua intervenção. O Design - seja ele Português ou Sueco - sem uma visão transversal sobre a realidade para a qual responde e a qual molda, é uma actividade condenada ao fracasso.

O  panorama revela-se tanto promissor como complicado. O designer deverá compreender a sua posição estratégica - entre o projecto e a indústria, entre a economia e o produto, entre a cultura e a identidade - integrar e integrar-se num esforço pluridisciplinar de criação de mais-valias.


2 - Relativamente ao desenvolvimento do Design/Arquitectura noutros países quais pensa serem as tendências ou exemplos de onde poderemos retirar alguns ensinamentos?

De todo o lado. Sem limites. Apenas deveremos procurar compreender cada realidade. Por exemplo, na Finlândia plantam-se florestas a perder de vista. O "seu" contraplacado termo-moldado não aparece por geração espontânea. Há todo um contexto económico-cultural a compreender na avaliação de determinado exemplo e/ou tendência.


3 - Considera existirem segmentos ou nichos de mercado que poderão ser melhor abordados e trabalhados pelo Design/Arquitectura?

Penso que o design tem como desígnio, em resposta ao seu desejo, antecipar, revelar e explorar novos nichos. Só assim é que poderá sobreviver enquanto disciplina.


4 - Nesses casos, e em geral, qual pensa ser a melhor forma de transmitir a importância da intervenção do Design/Arquitectura como elemento diferenciador e fundamental para a aquisição de vantagens competitivas?

A natureza da sua disciplina - reunindo e compreendendo todas as disciplinas - e a sua capacidade de antecipação ao mercado, libertam a sua actividade  para um constante questionar do mundo e seus artefactos.


5 - O que tem feito a sua empresa para responder às necessidades do mercado e que ferramentas tem utilizado para se actualizar?

O reconhecimento de que a resposta a determinado problema só é possível pela percepção  do todo. Um todo maior que a soma dos seus constituintes.


6 - Nos projectos que tem desenvolvido, tem recorrido à utilização de estruturas modulares? Se não, porquê? Se sim, quais pensa terem sido os principais benefícios que colheu?

Sistematicamente.  A modularidade é um paradigma de liberdade. Tal como o alfabeto constitui um sistema finito de signos que, pela sua conjugação, constituem uma infinidade de conjugações, um sistema modular possibilita ao designer a maior liberdade de projecto, aliada à imensa mais-valia que constitui a sua rapidez de execução.

Como tudo, necessita de ser compreendido e interpretado.

Miguel Palmeiro, Arquitecto - 19/09/2006

 
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