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Oportunidade para o Designer

1 - Como vê o panorama actual do Design/Arquitectura em Portugal?
Tendo a vê-lo pela positiva, não confinado a Portugal nem a um ponto de vista apenas económico ou cultural. Uma visão de um designer industrial por formação, eventualmente tendenciosa, mas serena, consciente e determinada naquilo que é o seu ofício hoje.
É que talvez se revele mais útil reflectir nos protagonistas que dão origem à obra do que à estética do seu resultado. Frequentemente interpretado como um arquitecto de miudezas, um engenheiro light ou um marketeer com jeito para protótipos, a verdade é que esta actividade fascinante de designer permite um posicionamento privilegiado. A alternância de pontos de vista de quem durante o mês frequenta territórios de projecto tão díspares como complementares, como seja a concepção de um barco de recreio, um site de uma pedreira, uma linha de calçado, a requalificação de um centro histórico, um banco de automóvel ou uma bomba de gasolina, cada qual com as suas especificidades de negócio, proporciona de facto uma ideia global dos comportamentos da sociedade e uma grande liberdade de actuação, independentemente de rótulos ou de instituições que, em abono da sua vocação reguladora das actividades, acabam por condicionar os âmbitos de intervenção e aquilo que é enquadrável e reconhecido como âmbito da sua actividade.
O que quero dizer é que se o produto é condicionado pela máquina produtiva e pela sustentabilidade logística e agilidade comercial dos circuitos da marca, a arquitectura tende a ser vinculada a critérios legislativos e daquilo que é considerado património ou socialmente pertinente, se não apenas geradora de trabalho e aplicação de recursos, sejam eles materiais ou humanos.
Tenderíamos a considerá-las áreas em divergência se não ocorresse a sobreposição da áreas de competência que determinam o tanto o futuro do design quer da arquitectura, para lá daquelas que lhe deram origem e sobejamente reconhecidas, não só porque semanticamente existem cada vez mais produtos que nos parecem arquitecturas e edifícios que interpretamos como objectos. Pensemos ainda na alternância a que se assiste entre empresas de design que empregam arquitectos e vice-versa.
De facto, vivemos uma época extremamente aliciante em termos comportamentais em como se vive o espaço urbano e arquitectónico que se concretiza através dos produtos industrializados como o automóvel, o elevador ou o puxador...Por outro lado, pensemos como um produto como a mala de rodinhas condiciona as premissas de projecto de um aeroporto, das transformações deste espaço e do próprio avião, assim como se as agências de viagens começassem a vender lugares em pé para curtas distâncias uma vez que parece não haver legislação que o impeça desde que exista um cinto fixo...Qual a relevância do panorama português neste contexto senão a integração nessa lógica?
Mas desçamos aos aspectos meramente técnicos do projecto e atentemos ao quanto estes intervenientes do projecto perdem em não se deixar maravilhar e aprender a lidar com esta realidade onde a tecnologia ultrapassa claramente as metodologias pré estabelecidas, e utente final da coisa no espaço tem em si latente uma ânsia de experimentação e assimilação de novas soluções sobretudo quando lhe simplificam a vida.
Do ponto de vista produtivo, a lógica modular de componentes, montagem e até desmontagem com todas as condicionantes ambientais económicas e democratizáveis da lógica da indústria automóvel por exemplo, influencia nitidamente a pele do edifício, tal como a lógica estrutural da indústria naval, quer na óptica da ponte metálica, quer da prótese biónica, da fibra de Kevlar, das tensões estruturais ou na espuma de alumínio expandido, percorrendo a sua evolução tecnológica desenfreadamente face à inércia dos procedimentos quer de projecto quer de implementação das soluções arquitectónicas.
Em termos gerais, a "crise", termo tão reconfortante para as incompetências de cada um de nós, permite-nos constatar a dificilmente contornável falta de legitimidade do nosso país em propor inovação em algumas áreas.

2 - Relativamente ao desenvolvimento do Design/Arquitectura noutros países quais pensa serem as tendências ou exemplos de onde poderemos retirar alguns ensinamentos?
Pelo que disse anteriormente, penso que não estará na importação de modelos evolutivos  dos países nórdicos, aos quais se reconhece hoje o design pela tecnologia e pelo bom funcionamento das instituições, nem tampouco da Itália, pela brilhante reinvenção do supérfluo e elogio do indivíduo, que se encontrará uma identidade portuguesa de projecto. Mas devo confessar que não sei se perderemos grande coisa.
Duvido que a sustentabilidade das nossas exportações, das quais dependerá por força a nossa sobrevivência, passe apenas por aí, pois a sustentabilidade do espírito português nunca daí partiu nem nunca aí quis chegar. Pelo contrário, sempre nos saímos bem ao coabitar em realidades multiculturais, de escassos recursos, onde a capacidade de reinventar, descontextualizar, coexistir, simplificar processos humanizando as relações, sempre foram o nosso forte.
Ora parece que isso é algo com que os grandes exemplos da economia sonham e se debatem por recuperar. Continuamos hoje a sentir um grande fascínio por aqueles povos que, tendo menos coisas, são felizes e com mais tempo para as relações, e paradoxalmente sonham menos connosco do que nós com eles.
Se não, repare-se não só no crescente consumo ocidental de imprensa, viagens e artefactos pseudo-étnicos e do discurso da matéria dos objectos e da arquitectura, como para lá da consciência ecológica, explora-se sentimentos mal resolvidos sobre um mundo que nos passou ao lado, que não soubemos escutar, e então consome-se tudo o que são inferências à posse desses valores sem que os entendamos na essência. Povos onde a carne seca pendurada na porta por falta de supermercado convive com o geep americano de 2º mão e o telemóvel de última geração. Não precisam passar pelas desvantagens da industrialização nem de tal quererão saber, contudo, serão o nosso mercado. Gente para a qual uma lata se faz música, uma cana é o melhor interface e de uma folha de palmeira se faz um poema.
O que não quero dizer é que não seja nossa obrigação por as instituições a funcionar e colaborar entre si sob as lições que podemos retirar do mundo académico, científico, tecnológico e político que deu resultados práticos. Até porque dele é formado o nosso gosto e ideia das coisas, espaços e comportamentos.

3 - Considera existirem segmentos ou nichos de mercado que poderão ser melhor abordados e trabalhados pelo Design/Arquitectura?
Quanto à arquitectura em Portugal creio que tem excelentes referências cá dentro, que a geração mais nova está a saber potencializar com rumos muito claros e com resultados emocionantes. Certamente a área que privilegio e me orgulha em ser português.
Quanto ao design o problema é mais complexo, pois as referências são escassas e os resultados medem-se pela economia que gera e isso ultrapassa o produto, o ambiente ou a estratégia de comunicação. Felizmente mede-se sobretudo no mercado externo, porque se depender do gosto do mercado nacional ou da estratégia imediatista da generalidade dos nossos empresários...Claro que temos raras e honrosas excepções e com todo o mérito acendem uma luz aos designers, mas não deixam de ser maioritariamente empresas de serviços ou produtores de segunda ou terceira linhas, muitos bons a produzir mas com ideias por vezes pouco claras e fraca capacidade de previsão em entender o cliente final que lhe deixara de bater à porta, tendo que ser a empresa a se dirigir a ele.
Portanto, quanto ao design, os nichos de mercado encontram-se lá onde é preciso desenvolver bem, de maneira simples e rapidamente uma destas atitudes, criando as pontes que forem necessárias para as pôr em prática em contextos onde a economia de escala nos seja conveniente por não ser a outros.

4 - Nesses casos, e em geral, qual pensa ser a melhor forma de transmitir a importância da intervenção do Design/Arquitectura como elemento diferenciador e fundamental para a aquisição de vantagens competitivas?
Com casos práticos reais de incrementação de negócios após uma colaboração regular de um serviço de design com capacidade de interpretação do mercado, com um reequacionamento de oportunidades e viabilização de recursos tecnológicos e humanos, sendo raro conseguir sem uma empresa com procedimentos "oleados" e uma grande capacidade de enfoque no mercado e meios para o assistir desde a implementação de produtos ou serviços até á sua sedimentação.
Quando tal acontece é necessário começar tudo de novo, sabendo à partida que é tempo de aprender tudo outra vez.

5 - O que tem feito a sua empresa para responder às necessidades do mercado e que ferramentas tem utilizado para se actualizar?
Isso mesmo que acabamos de referir, reflectindo e partilhando tais preocupações e experiências vividas todos os dias e por todo o lado, infelizmente para a família, muito pouco sentada no atelier. A MODUSDESIGN procura estar onde existe o problema, e onde existe a oportunidade.
As ferramentas são as convencionais a nível de software de projecto, comunicação ou produção, embora tenda a sustentar-se cada vez mais nas mais simples, intuitivas e rudimentares, na maioria dos casos seria "matar a mosca com o canhão" como dizem os clientes mais pragmáticos. Quanto ao diagnóstico e análise dos problemas e reequacionamento dos problemas, o que dizemos aos nossos alunos no IADE e estagiários nas empresas do CPD, é ler tudo aquilo que nada tem a ver com design.

6 - Nos projectos que tem desenvolvido tem recorrido à utilização de estruturas modulares? Se não, porquê? Se sim, quais pensa terem sido os principais benefícios que colheu?
Na maior parte das vezes a MODUSDESIGN não tem utilizado apenas por características dos clientes, cujo problema tendeu para o seu crescimento e para soluções de stand próprio de grandes dimensões, e por vezes requer uma estrutura própria com dois pisos ou a exposição de produtos pesados com grande versatilidade de enquadramento e transporte próprio no estrangeiro.
Contudo já temos usado e aconselhado vivamente pelas claras vantagens que daí advém. A primeira é claramente a qualidade e acabamentos dos sistemas versus preço. Depois a ligeireza associada à velocidade de montagem, desmontagem e eventuais transformações que essas sim, por vezes, não têm preço. Mais ainda pelos efeitos cénicos com efeito a distancia que tais sistemas permitem, pela possibilidade de dedicar a máxima atenção ao cliente e à sua estratégia de comunicação sem perder tempo precioso com soluções que já existem e ainda pela grande versatilidade e adaptabilidade do sistema a outras situações permitindo sempre a sua reutilização modular em show-room ou noutros negócios de apoio ao cliente.

Paulo Bago D`Uva, Designer - 30/10/2006

 
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