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NOTA PRÉVIA:
"As minhas respostas serão relativas à arquitectura, pois entendo que o panorama do Design e bastante diferente." Tiago Mota Saraiva
1 - Como vê o panorama actual da Arquitectura/Design em Portugal?
Com alguma preocupação.
Se por um lado o país investiu nos últimos anos recursos na formação de novos arquitectos o que provocou que a classe profissional se constituísse com uma das mais jovens (média de 35 anos), essa situação tarda em ter repercussão no território construído.
A alteração do antigo Decreto-lei 73/73, que continua a permitir a técnicos não qualificados a execução de projectos de arquitectura, mais do que uma mera formalidade, espero que dê um sinal claro no sentido de uma nova cultura de qualificação em todos os sectores da construção, em que Portugal continua claramente deficitário.
A partir daí a lógica terá de ser no sentido de uma maior responsabilização dos técnicos, qualificação na construção do território e exigência por parte do cidadão/utilizador.
2 - Relativamente ao desenvolvimento da Arquitectura/Design noutros países quais pensa serem as tendências ou exemplos de onde poderemos retirar alguns ensinamentos?
Eu julgo que poderemos aprender um pouco em todos os países.
No que diz respeito, por exemplo, à realidade na União Europeia (que conheço melhor), enquanto os arquitectos conseguem ombrear de igual para igual com os colegas dos outros países (veja-se a quantidade de arquitectos portugueses que vão sendo distinguidos internacionalmente), no que diz respeito ao capítulo da construção sucede exactamente o inverso.
Esta, é uma preocupação que o país deve ter.
Existem pequenas e médias empresas de construção, espalhadas por todo o país, por vezes sem funcionários, sem técnicos qualificados, sem segurança social, sem seguros para acidentes, e com relações pouco claras com os poderes locais, que apresentam facturações elevadíssimas e que constituem um dos maiores mercados nacionais.
3 - Considera existirem segmentos ou nichos de mercado que poderão ser melhor abordados e trabalhados pela Arquitectura/Design?
Da análise que faço, lamento dizê-lo, o melhor nicho de mercado a explorar é o mercado internacional. Como anteriormente referi é, mais qualificado, com uma cultura de responsabilidade e exigência, e mais aberto.
Como jovem arquitecto e sócio de uma empresa de arquitectura, sinto cada vez mais que essa será a melhor forma para o acesso à profissão. No estrangeiro existem concursos públicos, entra-se por mérito próprio no mercado de trabalho e nos circuitos de publicação (necessários para uma maior visibilidade da empresa) e constrói-se com uma qualidade e timings completamente diferentes.
4 - Nesses casos, e em geral, qual pensa ser a melhor forma de transmitir a importância da intervenção da Arquitectura/Design como elemento diferenciador e fundamental para a aquisição de vantagens competitivas?
Qualidade, inovação e conforto, entre outras coisas adaptadas às diferentes situações.
5 - O que tem feito a sua empresa para responder às necessidades do mercado e que ferramentas tem utilizado para se actualizar?
Estamos a iniciar uma nova fase de prospecção de fundos comunitários que se possam enquadrar e ajudar nesta perspectiva de internacionalização da empresa e que de certa forma possam combater a situação geográfica de periferia em que o país se encontra.
A ferramenta que mais procuramos usar são os olhos. Citando de uma forma livre Saramago, num dos seus diários, "quando olhares, vê."
6 - Nos projectos que tem desenvolvido tem recorrido à utilização de estruturas modulares? Se não, porquê? Se sim, quais pensa terem sido os principais benefícios que colheu?
Sim, quando se trata de situações efémeras, seja pela sua mobilidade e rápida construção, seja pela facilidade de desmontagem.
Tiago Mota Saraiva, Arquitecto - 06/12/2006 |